SOBRE
Com o intuito de resignificar o lugar da arte e investigar o papel da loucura na produção cultural, o trabalho do Sapos e Afogados promove a inserção social da pessoa com sofrimento mental. Ao possibilitar a circulação de seus espetáculos e filmes para além da rede atenção à saúde, oferece um novo lugar para o “louco” na sociedade.
Além disso, permite repensar e ampliar as formas de conceber a criação cênica e abre campo para novas pesquisas. O grupo nasceu dentro dos centros de convivência Cézar Campos, Arthur Bispo e Carlos Prates, e desde 2004 desenvolve seu trabalho para fora dessas redes. O trabalho não só instaura um outro espaço de expressão para os sujeitos, usuários de tais serviços e para além deles, como também faz operar uma outra lógica de criação e experimentação no campo das artes cênicas, pelo sujeito denominado louco.
Ciente da importante contribuição que a loucura pode trazer para a arte, o Núcleo de Criação e Pesquisa Sapos e Afogados aposta e acredita na possibilidade do encontro a partir da diferença, pensamento que vai ao encontro do Movimento da Luta Antimanicomial criado por Franco Basaglia, na Itália. O que nos faz desejar imensamente a realização desse trabalho é poder abrir a discussão sobre a importância de se reconhecer a arte e a cultura como direito universal, entendendo o teatro como ponto de elaboração da experiência dos sujeitos.
Nos trabalhos do Núcleo de Criação e Pesquisa Sapos e Afogados, tanto nos filmes, como nas montagens teatrais, o que vemos não é o delírio dos atores, mas um momento de puro estado de jogo em que é permitido tecer e brincar com “metáforas delirantes” travadas com o espaço, com o próprio corpo e com o outro. Os trabalhos do núcleo receberam forte apreciação da crítica especializada no que se refere à interseção entre arte e loucura. A visibilidade conquistada pelo Núcleo através de seus trabalhos possibilitou aos usuários reconhecerem a si mesmos como artistas, transformando o delírio em discurso poético, saindo do “rótulo” de louco para ocupar outro lugar, outro nome: o de ator-criador.
Embora reconheçamos o delírio como um “material de trabalho”, o que nos interessa nessa busca é a construção cênica vinda de uma lógica em que o significado permanece passível de ser lido de diversos modos. Esse pensamento sugere reflexões e questionamentos de como fazer teatro e cinema considerando os pontos diferenciais que são inerentes a esse ofício.
EQUIPE SAPÔNICA

Juliana Barreto

Camelia Amada

Ione Couy
Direção Geral
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